quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Você é corajosx o suficiente para desistir?


Se tem uma coisa que ninguém nunca me contou é o quanto é difícil desistir de alguma coisa. Geralmente a gente vê alguém que desistiu de um amor, de um emprego, de uma faculdade, de um sonho, ou qualquer outra coisa que seja, como alguém fraco. Mas a verdade é que a gente precisa de muito mais coragem pra desistir do que pra seguir frente. Seguir não exige nenhuma ação, a gente vai empurrando com a barriga, mesmo que não esteja tudo bem. E pra abandonar? A gente tem que ter coragem de assumir que não deu certo. Ter coragem de ouvir as críticas daqueles que não fazem ideia de quanto foi difícil tomar essa decisão, coragem de parar para repensar na vida e começar de novo. E recomeçar dá tanto trabalho, né? Ainda mais se você nem ao menos sabe por onde.  

E quando a gente desiste a gente ainda tem que se preocupar em abandonar sem se abandonar de vez, achar que nada tem jeito, que não tem outro caminho melhor, que está tudo arruinado. Não está. A gente só precisa achar o ponto certo entre a felicidade de se livrar e a dor de se perder. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Sobre o cansaço de existir

Tem dia que simplesmente me canso. De mim mesma. É o pior dos cansaços. Não dá pra dar uma corridinha de mim, não dá pra se esconder, desistir ou enfrentar. Simplesmente suporto. Suporto a minha ridícula melancolia que me puxa um pouco além do fundo do poço, a minha solidão que se faz a pior das companhias, a minha vontade de não ser. Seria mais fácil não existir, cansaria menos, exigiria menos. Existir cansa. Ter que viver com a minha existência então, me deixa exausta.
Odeio esses dias de tempestade. Tempestade de sentimentos que me puxam de volta pro lugar que eu demorei tempo demais pra conseguir sair. Que alaga tudo, me deixa ilhada, sozinha, revoltada. Quero nadar de volta pra não me afogar, mas a correnteza parece forte demais. Cansa. Percebo que não adianta lutar. Deixo me levar por essas águas. É só por um tempinho, logo o tempo se abrirá de novo. Acontece toda vez.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O conflito de ser só [eu e ela]


A solidão e eu sempre temos sérios conflitos pra ver quem engole quem primeiro.  Ela aperta o coração, eu seguro o choro. Eu me sinto pequenininha enquanto ela se faz um monstro gigante. Ela ri da minha cara, mas eu faço dela inspiração. Ela quer ser minha única companhia, só que ela é a única companhia que eu não quero. Sempre que ela chega eu fico me perguntando quanto tempo vai ficar: o bastante para ela me engolir ou o suficiente para eu engoli-la? 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Quanto pesa a opressão que você sofre?

Você já sentiu o peso de uma opressão? Você, homem, branco, hetero, cis, de classe média, que está mais ou menos dentro dos ditos padrões de beleza, talvez não. Você é um privilegiado e provavelmente nem saiba. Pois é, soa até ridículo, privilegiado por ser – ou nesse caso por não ser. Não digo aquela opressão escancarada da agressão verbal ou física. Falo de uma ainda mais pesada, aquela silenciosa. 
Ultimamente tenho sentido esse peso me sufocando como nunca antes tinha me dado conta. O peso dos olhares que parecem me acompanhar pelas ruas, até dos pensamentos que parecem se escancarar em rostos desconhecidos e opressores, aqueles que nos fazem abaixar a cabeça pra evitar, pra se esconder, aqueles que nos fazem nos sentir menor. Me sinto um produto desfilando pelas ruas para ser cobiçado, me sinto perdendo minha identidade, me sinto impotente, conformada. Isso tudo só porque sou mulher. Ainda que sou branca, hetero, cis, de classe média, não estou extremamente fora do “padrão de beleza”, de forma que me sinto até desconfortável dizendo que sou oprimida. Quanto pesa ser uma mulher negra, homossexual, trans, pobre, fora desses infames padrões? Como aguentar esse peso invisível que esmaga, arrebenta, dilacera e diminui um ser humano? Não é só um olhar, não é só uma cantada, não é só um comentário, não é só uma atitude, é um fardo imenso que depositam sobre mulheres, homossexuais, pobres entre outros chamados errônea e injustamente de “minorias”. Pesos que depositamos uns sobre os outros: somos oprimidos, mas oprimimos também. E com que direito?
Quanto pesa a opressão que você sofre?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Quanto mais você aguenta?

Ele chegou. Perturbando-me, como sempre. Me tirando do eixo. Fico querendo que vá embora logo. Alguma coisa acontece na minha vida quando ele chega que eu não sei explicar direito, eu não sei sentir direito. Tudo vira desespero, angústia, ansiedade. As lembranças que eu pensava ter enterrado voltam a tona, os medos que eu queria ter superado invadem-me. Eu sei que quando ele chega é hora de mudança, querendo eu ou não. As coisas vão mudar. Radicalmente em algumas das vezes, sutilmente em outras.
É até ridículo. Ridiculamente inconveniente o modo como ele vira tudo de cabeça pra baixo: o que era certo se esvai e o inexistente me preenche. Me incomoda porque tudo fica muito confuso e qualquer problema parece dobrar de tamanho. Eu só quero que ele passe logo, não gosto da sua presença, porque fins me perturbam. E ele é o pior dos fins: traz arrependimentos, insatisfações, sonhos que não se concretizaram...depois faz a gente vestir roupa branca, por um sorriso no rosto, assim como se tudo tivesse sido perfeito, agradecer e prometer tudo de novo.
Não gosto do fim do ano porque ele faz questão de demorar, arrastar-se provocativamente. Quanto mais você aguenta? Parece debochar da minha inquietude. Ele fica esperando o momento que eu vou me render, entregar o jogo. Eu fico simplesmente tentando aguentar. Me consola saber que quando ele passar vem a parte que eu tanto desejo: o começo.
Porque a gente têm que passar pelo fim pra voltar pro começo?

domingo, 4 de agosto de 2013

Veja bem, meu bem...

Aqui no meu peito não tem mais espaço. Não cabe mais nenhuma decepção, desilusão ou saudades. Por isso já não acolho mais esse sentimento que você diz ter por mim. Vá se alojar em outro coração. O meu está cheio. Cheio de amor próprio e novos planos que não incluem mais você.
Tudo aquilo que um dia já cresceu loucamente como trepadeira descontrolada foi arrancado pela raiz.
Aqui dentro, agora, tudo é campo aberto. Limpo. Livre. Nada me impede, nada me machuca, nada tira a beleza da minha paisagem. A vista está bem mais leve sem você. Não precisa voltar, ok? Não faz mais falta.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A garota do espelho

       A garota do espelho me olha assutada quando apareço de cara limpa e cabelo despenteado. Parece mais forte do que ela o impulso de levar as mãos à cabeça e tentar arrumar o que eu não vejo nada de errado. Ela não entende que beleza não se reflete ali, mas tenta a todo custo seguir padrões que a impuseram para considerarmo-nos bonita.
       Coitada, ela é tão rasa e limitada. Vive naquele mundinho de vidro e acha que o modo como ela se arruma ali, a roupa que veste ou a maquiagem que faz determinarão quem eu sou. Ela não se relaciona com ninguém, eu sim. E sei que o que ela me forçar a fazer de frente pra ela não vai influenciar nisso. Mas ela não me ouve.
        Travamos grandes batalhas todos os dias. Ela me dizendo que eu estou feia. Eu dizendo a ela que não tenho que ser bonita. O meu argumento de que beleza é um sentimento abstrato que toca a alma e não os olhos parece não atingi-la. A minha explicação sobre como os outros querem impor como devemos ser, sobre a indústria que cria um padrão de beleza inalcançável para lucrar minhões, sobre a nossa imersão numa cultura que se preocupa com corpos e não com cabeças, que enxerga peito e não coração, que nos faz comparar violão com mulher, homem com príncipe e beleza com felicidade....NADA a faz desistir de me julgar. O tempo todo.
       Como ela é pedante e inconveniente! Mesmo quando não a vejo ela ecoa na minha cabeça. Tenta controlar o que eu faço ou o que eu como para que nada que ela goste mude. Eu grito que não estou nem aí pra ela, mas ela não acredita.
       Essa luta me cansa tanto! Mesmo assim eu juro que não a deixarei ganhar. Eu não quero acabar igual a ela: uma imagem ambulante a ser admirada.